Mostrando postagens com marcador Reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexão. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Não há outro Magnifico, senão o Reitor





Tempos de celebração democrática é o que se comenta pelos corredores da Universidade Federal do ABC. Passamos pelo processo de escolha do novo reitor para os próximos 4 anos. Obviamente, ele é muito mais do que o grande gestor desta comunidade, ele é o arauto que nos representa em todos os diferentes fóruns e o responsável por nos guiar através dos diversos caminhos de Universidades que poderíamos trilhar. 


Pessoalmente, já escolhi o candidato em que votarei, baseado na minha visão da UFABC e no gestor que acredito poder moldá-la nesta imagem. O nome deste candidato ou os detalhes do meu pensamento para esta decisão são razoavelmente irrelevantes (para qualquer um que não seja eu). Caso eu escrevesse aqui, no melhor dos casos, teríamos algum tipo de depoimento que poderia até ficar bem em fórum digitais e/ou redes sociais e nada mais... Bem escrito, talvez; inútil, com certeza. Cada qual deve tomar essa decisão por seus próprios princípios e a opinião alheia deveria ter pouca influencia nisso. Independente do candidato que vença, a maior fé que tenho é que a UFABC já é uma universidade solida o suficiente para que, seja eleito o candidato seis ou o candidato meia dúzia, ela continuará em sua busca de se firmar como um bom local de ensino, pesquisa e extensão. 



Contudo, muitos estão propagandeando e trabalhando duramente para este ou aquele candidato, muitos são os “argumentos” para tão apaixonada labuta de convencimento. Sinceramente, sempre acho melhor do que só ouvir as palavras de um homem, observar suas ações; ir além e estudar as intenções de suas ações, se possível ainda, refletir sobre as intenções de suas intenções. Então, talvez,seja possível ter um vislumbre do que há de verdade em suas palavras. Por isso, deve-se sempre ser cauteloso com palavras faladas ou no papel. Afinal, a maioria das grandes e mais fascinantes histórias se encontram imortalizadas no papel e nem por isso deixam de ser apenas excelentes fantasias. Tudo que podemos eleger é a possibilidade de um caminho com quase nenhuma garantia de sua veracidade



Nestes tempos de angariar votos, muitos são lisonjeiros e gentis. Afinal, querem nosso voto, mas como serão depois de conseguir o que desejam? Neste ponto, sempre é válido um exercício de memória. Durante este tipo de campanha muitos usam mascaras convenientes. Porém, se conhece muito mais destas pessoas no dia-a dia: quando os observamos nos tablados durante suas aulas, quando procuramos alguma ajuda deles em suas salas, quando discutimos nos diversos fóruns universitários ou quando observamos a sua maneira de interagir com os outros. Nestes momentos, estas pessoas mostram bem mais de perto sua verdadeira natureza. O grande problema dessa diferença é que se usa a Mascara para obter os votos, mas se governar com a verdadeira Natureza, com tudo o que há de mau e bom dela. Nos piores casos, existem os  “mágicos de Oz” que prometem coragem, mas tudo que podem oferecer é uma tigela de vinho barato, na tentativa de te embriagar e te fazer acreditar que te deram a coragem, que nem eles mesmos possuem.  



Independente do discurso usado, além das boas intenções, pode estar certo que sempre existirá alguma sede de poder e a chama da vaidade, em especial, naqueles que cercam os candidatos e aguardam a "merecida" recompensa por sua lealdade, muitas vezes representada por uma pró-reitoria ou algo assim. Deve se tomar muito cuidado com a escolha que se faz, pois pode não haver outro Magnífico, senão o Reitor, mas, com toda certeza, haverão muitos pro-reitores  que serão os seus mensageiros e os executores do plano. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Entre Relações Atômicas e Moleculares



Mais um quadrimeste acaba na UFABC. Entre muitos Ônus e Bônus da Greve do último ano, pela primeira vez me encontro em férias/recesso em meio de Julho, assim nos juntando a boa parte das universidades, ditas tradicionais, com seus cronogramas semestrais. Obviamente, férias é um jeito suave de falar de um período curto entre quadrimestres já tomado pela pressa em colocar a pesquisa em dia e preparar aulas das próximas disciplinas. 

Neste último quadrimestre lecionei a "inglória" Interações Atômicas e Moleculares (IAM). Uma disciplina que permeia entre a física e a química… Inicia-se com o átomo de Hidrogênio e segue compondo moléculas e outros aglomerados até os diferentes sólidos e as suas propriedades. Um curso recheado de física quântica e formalismo matemático ao gosto do professor. Confesso, que no "ensopado molecular" que ofereci aos estudantes havia porções generosas de física, algumas histórias e quando possível até um pouco de poesia (que sempre está em todo lugar, mesmo que nem sempre aceitemos isso) e, claro, uma dose respeitável de equações diferenciais, derivadas e integrais. Afinal, um Bacharel em Ciência e Tecnologia tem que saber cálculo, ainda mais se ele é pretendente a ser Engenheiro ou alguma carreira de Pesquisa ou Ensino em Exatas.

É interessante apresentar uma matéria considerada por muitos como avançada para um publico amplo, basicamente, qualquer aluno da UFABC (exceto alunos do BC&H) são obrigados a fazê-la. Também é uma disciplina que em seu primeiro oferecimento teve índice de reprovação superior a 70%. Atualmente, os números são mais brandos, algo entre 40% entre reprovação e abandono, o que leva a um número de demanda reprimida (alunos que já deveriam ter cursado a disciplina, mas não o fizeram) em torno de 3000 alunos. Coloco estes números apenas para dar uma ideia de que o desafio é grande para os que estudam, mas também não é tarefa fácil para os que ensinam. 

A primeira questão que surge é: quem é seu publico alvo. Ao perguntar aos alunos de que cursos eles são é comum ouvir: Gestão, Ambiental, Biologia, Biomedica, Materiais, Física, Química, etc.. raramente se ouve "BC&T". Como todos já escolheram o que serão e farão depois, IAM é a última disciplina obrigatória que é necessária para se finalizar o BCT e ter direito a reserva de vaga e matrícula no curso desejado. Para muitos, IAM é um largo muro a ser ultrapassado para chegar a terras mais agradáveis do curso tão almejado. Portanto, é preciso começar com a busca de um fator comum de interesse e mostrar que a quântica não é tão difícil assim. Além do conteúdo obrigatório do ementa, eu sempre buscava conexões inesperadas e, até mesmo, aparentemente esdrúxulas. Por vezes, um choque em um momento inesperado é exatamente o que é necessário para se dar um salto na compreensão e criar um impacto positivo no estudante. 

Creio que construi um curso satisfatório, porém acho que ainda estamos longe de ter um bloco de matérias obrigatórias do BC&T que realmente criem um profissional com um conteúdo harmonioso e coerente. Ainda não consigo imaginar bem como exatamente é este Bacharel em Ciência e Tecnologia que estamos colocando no mundo... Confesso, que sempre que penso no BC&T, o curso me soa como uma orquestra tocando com cada instrumento afinado de uma forma diferente. Que se produz um som, sem dúvida, não há falta de som (e bem alto), infelizmente, bastante ruído também. Entretanto, falta ainda a beleza que revelaria uma profunda fluidez e clareza do curso ser aquilo que ele deveria ser; algo que pudesse transparecer uma coerência própria da intenção que se manifesta em melodia. 

No fim do meu curso de Interações Atômicas e Moleculares, acredito que toquei um chorinho (talvez um pouco fora do tom), com seu jeito simples em primeiro momento, mas com acordes rebuscados no dedilhar dos mestres Schrodinger, Heinsenberg, Pauli, Pauling, Lewis e tantos outros. Uma música com aquela  beleza meio triste dos que não são completamente entendidos. Afinal, o som de IAM, por vezes, desagrada ouvidos desatentos e acostumado a sons mais Clássicos e que se intimidam diante do choque necessário.  Como diria Bohr "Se você não ficar chocado é porque não entendeu." ;-)

De qualquer modo, continuamos nota a nota tentando compor a melodia completa do BC&T, mesmo que cada grupo em seu eixo pense que deve tocar um estilo diferente de música. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Mesmo a menor das pedras...




Um velho joalheiro trabalhava com bastante empenho em lapidar uma pequena pedra. Mesmo tendo adquirido grande conhecimento na arte de lapidar tais pedras preciosas, a avançada idade retirou-lhe parte de sua perícia e visão. Assim, suas mãos já não correspondiam tão bem aos seus anseios. Desse modo, o velho senhor realizava o trabalho com certa dificuldade, mas não se mostrava abalado com isso. Apenas realizava seu ofício com afinco e calma para lapidar aquela pequena pedra. 

Na outra mesa da oficina, o filho e também aprendiz nesta arte, observava o pai com certa frustração e impaciência. Não conseguindo mais conter a sua indignação, disse ao pai: 

- Por que o senhor perde tanto tempo e energia com essa minúscula pedra? Temos pedras maiores para lapidar, que o senhor poderia fazer com mais facilidade e rapidez e nos dariam muito mais lucro. Por que desperdiças seus esforços com uma pedra tão pequena?

O pai olhou o filho com benevolência e percebeu que para apaziguar o coração de seu afoito aprendiz o melhor seria uma explicação mais detalhada. Estas foram as suas palavras do ancião:

- Meu filho, é verdade que precisamos vender as jóias para colocar o alimento na mesa, mas esse não deve ser o objetivo principal do que fazemos. Nenhuma pedra é pequena demais para que possamos negligenciar o nosso trabalho, que é extrair de cada pedra o brilho que, de fato, ela possui quando exposta a luz. Todas as pedras tem as suas histórias: as pressões,  percalços e condições de suas formações, em geral, as embrutecem e as condicionam a uma imagem feia, rugosa e, por vezes, sem qualquer valor aparente. Cabe ao joalheiro reconhecer a essência de cada pedra e, com a retirada do excesso, alcançar o diamante que há nela. Ao se negar a isso, mesmo para a menor das pedras, o joalheiro nega a si mesmo. Você ainda é jovem para entender, mas da mesma forma que esta pequena pedra precisa do mim para escavar a sua essência, também eu preciso de cada uma das pedras em que trabalho, mesmo as menores, para encontrar a minha própria essência e refletir adequadamente a luz que provem de todos os lugares. 

Ao terminar o seu comentário, o velho homem sorriu ao filho, colocou o pequeno diamante, que agora brilhava de forma delicada e bela, sobre a mesa e, em silêncio, pegou a próxima pedra bruta para lapidar. 

domingo, 21 de abril de 2013

Comentários de um marinheiro mais experimentado


(imagem obtida na comunidade da UFABC no Facebook) 

Amanhã, as aulas da UFABC serão retomadas. Devido a greve, iniciamos o ano letivo de 2013 só no dia 22 de Abril.  Em um domingo parecido com o de hoje, há uns 2 anos atrás, eu escrevia um texto endereçado aos ingressantes: “Aviso aos jovens navegantes” (http://fisicoemcubos.blogspot.com.br/2011/05/aviso-aos-jovens-navegantes.html). Naquela época, eu tinha apenas um ano de UFABC. Hoje, conto com mais de 3 anos de vivência nesta Universidade. Pode parecer pouco ainda, mas para uma universidade com apenas seis anos, isso já significa bastante história. Eu poderia até dizer que já sou um marinheiro experimentado no navegar desta Universidade em Consolidação.  Ainda há muito o que aprender, como qualquer marinheiro, eu já sei que só se para de aprender quando se alcança a última viagem e, com a benção de Poseidon, o bom marinheiro deixa de guiar e aceita embarcar aos cuidados de Caronte para os Elísios.

Em boa parte, acho que ainda me mantenho fiel ao ponto de vista que eu tinha naqueles dias. Sinceramente, ainda acredito nos três conselhos que dei: i) Aproveite tudo o que a UFABC te oferece; ii) Aprecie a estrutura da UFABC que é mais familiar que institucional; iii) Seja aberto ao novo, mas tenha foco. Entretanto, aviso que todos estão diferentes hoje em dia. Os professores, de um modo ou de outro, se aclimatando ao desafio diário de “carregar, afinar e tocar o piano ao mesmo tempo”. Os alunos já se depararão com uma Universidade um pouco mais construída e, portanto, com relações já não tão familiares, até temos dois câmpus e, talvez, mais um vindo.  Todos tiveram seus desalentos, em especial, com a greve que deixou mais claro que não somos tão diferentes das outras universidades federais. Designos de uma Universidade que nasceu com espírito grande, quando nem corpo tinha e que, agora, ainda se estranha com o corpo que esta sendo consolidado para confinar tal espírito.

Além dos conselhos do texto anteriore, eu gostaria de acrescentar mais dois que ficaram mais importantes ao longo destes três anos:

Aceite que a liberdade está sempre atrelada a responsabilidade: A UFABC encanta aos mais jovens com sua promessa de liberdade ilimitada, ainda mais nesta fase da vida, que para muitos é tempo de deixar os pais e alçar voos mais elevados. Entretanto, não esqueça do trágico Ícaro, que encantado com o seu voo, não percebeu que o sol derretia suas asas e a queda foi o seu destino inevitável. Você não deve esquecer que sempre há um preço em ser livre: Você é responsável por todas as escolhas feitas e consequências decorrentes delas.  Tenha a intenção e o objetivo claro para cada decisão que tomar, disciplina que cursar, grupo a que se associar.  Tente se ver no futuro, pense o que isso fará por você daqui uns 5 anos...  Pode soar muito pragmático,  mas é melhor que ser apenas impulsivo.
   
Acredite em seu potencial, mas não menospreze suas limitações: É importante acreditar em si mesmo e usar os talentos que já possui ao seu favor. Ir um pouco além, sempre pode ser útil. Porém, você não é invulnerável, é preciso saber qual o seu limite. O quanto antes você souber qual o peso do “fardo” que é capaz de carregar, melhor será sua vivencia universitária. A vida é melhor quando vivida em equilíbrio: você precisa estudar, dormir, se alimentar adequadamente, se divertir e se relacionar com as pessoas. A universidade oferece infinitas opções para diversas destas atividades.  Não esqueça de se cuidar em todos os sentidos, muitos alunos se esquecem disso e adoecem ou desanimam... Depois tem grande dificuldade para se "curar" de suas mazelas e se acertar  em seu caminho. Lembre-se: “Aprenda com o erros dos outros, para que os seus erros não se tornem um exemplo para os outros”.

Por fim, a Universidade tem muito a oferecer e não se esqueça das boas razões pelas quais você decidiu estar na UFABC. Por vezes, esta é a única luz para te guiar nos momentos mais escuros da vida UFABCiana.  Um grande inicio de primeiro quadrimestre e ano letivo de 2013 para todos nós. Que possamos tornar a Universidade sempre melhor e melhor, enquanto também nos melhoramos. 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Uma analogia nutritiva: Universidade-Restaurante.





Quando eu fui contratado na UFABC em 2010, eu vi uma palestra ministrada pelo professor Sandro Costa e Silva, que comentava aos alunos ingressantes sobre as analogias de series de TV e a UFABC.  Das muitas coisas ditas nesta ótima palestra,  uma que me chamou bastante a atenção era sobre a oferta de disciplinas na UFABC:  Dizia ele que as Universidades Tradicionais ofereciam sempre a refeição à “La Carte" com o prato principal e acompanhamentos muito bem definidos e poucas possibilidades de variação.  Enquanto que na UFABC, tínhamos um "Self Service" em que os alunos poderiam escolher o que bem quisessem dentre o que lhes era oferecido. Tal imagem, além de interessante,  pode aludir bem a uma questão que hoje é um dos problemas mais complexos e arraigados da UFABC: a oferta e a matrícula em disciplinas.

A complicação inicia-se pela expectativa dos ‘convidados’ ao banquete em relação a lista com quase 1000 ‘pratos’ que podem ser oferecidos.  A escolha que não é nada fácil, ainda pode ser mais intricada se pensarmos que é necessário agregar um certo valor nutricional bem definido para o convidado poder deixar este estranho restaurante devidamente credenciado pelos nossos cozinheiros.

O número de cozinheiros para preparar as refeições é bem inferior ao que seria necessário e, além disso, há diferentes opiniões de como as refeições deveriam ser oferecidas: uns acreditam que deveriam deixar todos os pratos a disposição o tempo todo... Outros acham isso uma loucura e consideram que o adequado é oferecer um menu sugerido com garantia do convidado conseguir este prato e mais outras opções em menor número que serão dadas a um número menor de convidados com mérito para apreciar esse complemento da refeição. Isto é um ponto em que os cozinheiros debatem bastante e, provavelmente, este ano deve-se discutir ainda mais, uma vez que logo haverá escolha de um novo TOP CHEF de nosso restaurante, bem a equipe de todos os SUB-CHEFs.

Os pratos mais básicos e obrigatórios no menu de nossos convidados precisam ser feitos em um número gigantesco (mais de 2000 refeições por ano), pois sempre tem aqueles convidados que não conseguindo terminar a refeição na primeira tentativa, a cancelam para que possam tentar futuramente comê-la quando não for tão pesada ou indigesta. Há uma grande demanda de cozinheiros para estes pratos e aqui muitos acham que deveriam se seguir uma receita bem estabelecida por todos, assim garantindo o mesmo ‘valor nutricional’ de todas as porções destes pratos obrigatórios. Outros cozinheiros não gostam dessa opção, pois dizem que isso retira a sua liberdade criativa de colocar seu toque pessoal no prato.  Mesmo assim, a Unificação das Receitas foi feita e os convidados ficaram divididos entre os que apreciam e os que preferiam a moda antiga.

Além destes pratos obrigatórios, existem aqueles de demanda reduzida com valores nutricionais e sabores bem específicos para certo tipos de convidados. Para estes pratos, muitas vezes há poucos cozinheiros, ou até mesmo,  apenas um que é especialista em seu preparo. Fazendo que alguns cozinheiros precisem fazer muitos tipos diferentes de pratos ao mesmo tempo. Ainda há cozinheiros ociosos que  tentam evitar de cozinhar o que deveriam ou produzem refeições de baixo valor nutritivo. Outros apuram demais seus pratos e os tornam picantes e indigestos para a grande maioria dos convidados, mesmo sendo produzidos com alimentos de excelente qualidade e valor nutritivo. Haveria muitos outros casos sobre os cozinheiros para descrever, mas o espaço aqui é curto para falar de todas estas coisas. 

Por outro lado, os convidados também nem sempre ajudam. Pois na sua opção de Self Service, muitas vezes, fazem escolhas esdrúxulas combinando refeições, misturando alimentos estranhos e depois reclamando quando a digestão é difícil ou, até mesmo, impossível. Eles requisitam uma verdadeira sopa de cactos, achando que será algum manjar dos deuses... Os cozinheiros insistem em dizer que certos  pratos tem precedência sobre outros e que os alimentos deveriam ser consumidos em uma ordem natural que foi estabelecida no menu sugerido. Nem todos os convidados entendem a importancia das sugestões e esquecem que a liberdade de poder apontar o prato que desejam no menu vem sempre acompanhada da responsabilidade de arcar com as consequências da (in)digestão das refeições requisitadas.  Quando os convidados não estão satisfeitos com o alimento recebido,  costumam dizer que aquilo não é justo e que  tudo é um “mero capricho dos desmandos da elite gastronômica dos cozinheiros”... 

Para quem olha de fora deste restaurante, tudo se parece como uma porção de garçons desesperados requisitando todo tipo de prato e jogando pedidos sobre os atarantados cozinheiros, que debatem fervorosamente entre si enquanto cozinham sobre a importância do que fazem, valor nutritivo entre outras tantas questões que consideram de suma importancia para o perfeito funcionamento do restaurante. Enquanto, os convidados reclamam impacientes dos pratos recebidos e afirmam como poderiam eles mesmos oferecer pratos muitos melhores que aqueles que ocupam os cargos de cozinheiros só por ter um diploma para isso. 

Entretanto, uma coisa que me fascina neste pandemônio que é nosso restaurante é que, mesmo com todas as confusões, os convidados que deixam o restaurante estão muito bem alimentados e com tamanha vitalidade que nosso restaurante se destacou em relação aos demais restaurantes (muitos destes já tradicionais e prestigiados) perante os severos críticos governamentais. De alguma forma, mesmo que passando por algumas angustias e provações, parece que a comida que produzimos ainda tem o mais importante em sua essência: a 'sustância', como diriam nossos amigos do Nordeste. =)

Mas como poderíamos colocar alguma ordem nesta cozinha em baderna? Bem, isso é um prato cheio para os próximos textos que poderão vir em breve . ;-) 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Uma mulher chamada Mecânica Quântica





Nem sempre os textos surgem como eram em nossas mentes. O simples passo de escrevê-lo já o faz ser diferente de como esperaríamos que fosse... As palavras sempre limitam o significado, mesmo assim insistimos em tentar por palavras expressar o que nem sabemos definir com os pensamentos. Esse texto surgiu de uma dessas tentativas... 



Então, alcançamos a maturidade. Surge a Mecânica Quântica, algo como uma estonteante garota na balada. Ofuscada pelas luzes e atmosfera daquele ambiente, sua simples imagem nos choca, hipnotiza e fascina.  Suas roupas, seu jeito de agir mostram algo desconhecido, ousado e até absurdo. Ela representa tudo que vai contra a nossa intuição, mesmo assim não podemos tirar os olhos dela.  Definitivamente, sentimos que ela vem para modificar completamente tudo o que concebemos como natural. Ela é autentica e pouco se importa com o que achamos que ela deveria ser. Neste primeiro momento surge deslumbramento e angustia, sabemos que a vida não pode mais ser como antes e não temos ideia do há por vir. Ela é algo completamente novo em nossa vida e demanda um olhar igualmente original da realidade para fazer sentido.

Só nos resta dar um salto para além: aceitamos que ela é algo diferente, especial e que não podemos compreender ou descrever. Mesmo assim, de algum modo, sabemos que ela é exatamente aquilo que pedimos, sem saber que era o que precisávamos.  Ao aceitá-la nos vemos diante da redefinição de tudo.  Este é um caminho sem volta, pois ela não muda apenas o conceito do que ela é para nós, mas modifica até mesmo a realidade do que somos. Afinal, “a mecânica quântica é muito mais que apenas uma 'teoria', ela é uma forma inteiramente  nova de ver o mundo".

Antes que seja possível nos darmos conta, já estamos apaixonados e obcecados por desvendar todos os seus mistérios.  Não é uma relação simples, de fato, é sempre uma sequencia interminável de inúmeros momentos de infinita felicidade e profundo desespero.  Por mais que aprendemos sobre ela, jamais nos deixará de surpreender.  Mesmo quando já a conhecermos por muito tempo, ela sempre terá o dom de nos trazer algo inesperado ou inusitado, mas aquilo que nos deixa perplexo é também o que nos fascina. No fundo, sabemos que nunca será algo intuitivo, mesmo assim, nunca desistiremos de tentar fazê-la ser. É a nossa natureza se confrontando com a dela.  Algo que nem podemos chamar de amor...  Pois a ligação que surge entre Ela e nós, vai além de sentimentos ou razões ordinárias, exige uma forma de percepção nova que não sabemos qual é, mas temos plena certeza que é completamente diferente de todas nossas formas de percepção conhecidas. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Tempo de (re)pensar e (re)começar




“Era a melhor das Universidades, era a pior das Universidades, era o casebre da sabedoria, era o palácio da ignorância, era o laboratório  da fé, era o templo da incredulidade, era a fonte da Luz, era o sorvedouro da Treva, era a Primavera da esperança, era o Inverno do desespero, tínhamos tudo à nossa frente, não tínhamos nada à nossa frente, íamos todos diretos para o Paraíso, íamos todos diretos no outro sentido, era um período tão parecido com o que se espera do futuro, que algumas das suas mais magnificas autoridades insistiam ser recebidas, para a  ciência ou para a tecnologia, apenas no grau superlativo de comparação.”



Depois de um longo período sem tempo para escrever em meu blog, me dou o direito de ser pomposo e parafrasear Charles Dickens em um dos seus textos mais inspirados “Um conto de duas cidades”.  Meu último escrito data do período do fim de greve: momento de suspiros aliviados e desejo que tudo  voltasse a normalidade. O trabalho desde então represado de tantas maneiras, surgiu  exclamando urgência e nada mais pude fazer a não ser aceitá-lo de bom grado. Este foi de longe o mais longo dos quadrimestre que tive em  todas as escalas temporais reais e imaginárias. A exaustão se mostra clara nos rostos de todos: alunos, funcionários e professores. O recesso será bem vindo, mesmo sendo parco.... Afinal, temos que começar a pagar a dívida deixada na greve. Precisamos compensar o “tempo perdido”!

A greve não deixou apenas um déficit de aulas, também criou uma lacuna muito grande entre "classes". Até este quadrimestre nunca senti tão fortemente a fissura existente entre alunos e professores. Sobrou um dessabor amargo como ônus das atitudes de “cooperação e contra-cooperação” durante a greve. Talvez, foi um momento de deixar claro que somos todos muito iguais em nossas diferenças. Sinceramente, ainda não sei bem aonde isso tudo irá nos levar. Para mim, foi um tempo de muito trabalho e laboriosa reflexão oriunda deste, ainda não consegui perceber bem o que somos agora como Universidade após essa greve. Atualmente, estou numa fase de buscar intenções e propósito em tudo e todos e, em especial,  em mim mesmo.

Tenho muitos fragmentos de textos,  diversos surgiram durante minhas aulas de um curso de física quântica para o BC&T, outros em meus embates de me tornar  “mais eu” em minha vida pessoal  e também da constante busca de encontrar que tipo de pesquisador eu sou.  Com o tempo, eu vou amadurecê-los e apresentar aqui. O texto de hoje é só para dizer que AINDA existo e que o físico em cubos, também anseia  explorar outras geometrias mais inusitadas, não muito mais que isso... 

Termino desejando boas férias para esta comunidade da UFABC, que como uma família, muitas vezes parece precisar da intervenção de um pai severo e em outras de uma mãe compreensiva. Porém, independente de tantos  percalços e desentendimentos internos, para os “de fora” da família, só permitimos que se mostre o melhor: Parabéns, em especial, aos nossos alunos que foram ao ENADE e nos deram uma ótima reputação. =)